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domingo, 12 de junho de 2016

A ARTE DA GUERRA PARA PRATICANTES DE ARTES MARCIAIS

"Não se constrói Homens de Verdade 
com tapinhas nas costas, mas sim forjados na dor e na fúria"
(Anônimo)




Cerca de 25 séculos depois de escritas, as táticas do estrategista militar chinês Sun Tzu, descritas no livro “A arte da guerra”, ainda podem ser de grande utilidade tanto para vencer torneios, quanto para alavancar a sua vida.

Para Sun Tzu, lendário estrategista que viveu pelo século V A.C., a derrota numa batalha jamais era questão de má sorte ou acaso. A vitória estava reservada para quem sabia identificar e aproveitar as oportunidades que se apresentavam.


Procuramos resumir o livro em alguns tópicos.  Confira:



1. Elimine as palavras vazias

Quer fazer igual? 
Treine mais e fale menos !

Reza a lenda que em certa ocasião um rei deu a Sun Tzu plenos poderes para uma missão, prontamente aceita. Porém, o monarca depois discordou de seus métodos e lhe dispensou. Tzu retrucou:


“Impressiona-me saber que o rei gosta de palavras vazias. Não é capaz de juntá-las aos atos, pondo-as em prática”


A resposta corajosa reforça a lição número um das artes marciais: palavras só têm valor se aliadas aos atos. Planejar a rotina de exercícios de nada vale se você não for treinar. Falar em mudar de hábitos não significa nada se você não agir. Elimine as palavras vazias e seja um lutador de valor. 




2. Uma equipe bem motivada tem bons resultados



A equipe reconhece seu LÍDER
Sun Tzu foi capaz de fazer um exército com apenas 33 mil soldados vencer um inimigo quase dez vezes maior em número de combatentes. Um dos pontos iniciais de sua estratégia foi transformar civis em verdadeiros soldados partindo do princípio de que com ordens claras, motivação e disciplina, qualquer um poderia lutar como um herói. Bruce Lee tinha uma perna 2,5cm mais curta que a outra , era baixinho e míope. Mas era tão motivado que mesmo assim se tornou um dos maiores artistas marciais da história. Foco, entendimento e prática. Esse é o caminho para aprender! O general seleciona  e prepara a sua equipe. Deve dar ensinamentos e ordens claras sobre como e quando agir. 

"Quando há entusiasmo, ordem, organização, recursos, compromissos dos soldados, tens a força do ímpeto e o tímido é valoroso. (...) Determines os soldados por suas capacidades(...) e responsabilidades adequadas. O valente pode lutar, o cuidadoso pode fazer sentinela e o inteligente pode estudar, analisar e comunicar."


Não basta a um líder ou professor ser valente ou um grande campeão. Tem também que demonstrar  coragem, equilíbrio e responsabilidade. Se você for um líder de equipe e traçar uma estratégia difícil de ser compreendida, a culpa da derrota será sua. Quando você não cuidar do seu time, não acompanhá-lo e não guiá-lo com coerência e dedicação, a culpa da derrota será sua. 



"Quando as tropas fogem ou são insubordinadas, caem ou são derrotadas em batalha, a culpa é do general". 


3. Toda guerra baseia-se no logro , no segredo, na dissimulação e na surpresa. Confundir o rival é vencer! 



“Quando capaz, finja incapacidade; quando ativo, inatividade. Quando próximo, faça parecer que está muito longe; quando longe, que está próximo". 


As armadilhas de Sugar Ray 
Tenha seus segredos. Não espalhe a todos quais são seus melhores golpes nem quais são os que tem mais dificuldades. Ofereça ao inimigo uma isca para atraí-lo; finja desordem e o golpeie. Em sua vida, quando acreditar não ter forças suficientes para combater alguém, distraia seu inimigo. Se a sua equipe é menor que a do seu concorrente, divida a equipe "inimiga".  Essa estratégia, assim como as outras, vale para situações profissionais, pessoais, debates e discursos públicos. ” É também crucial que na hora de atacar o golpe seja rápido como um raio: 

“Quando o trovão chega, não há tempo para proteger as orelhas”, diz o mestre
. 





4. Deixe um caminho de fuga para o oponente


Se você nos treinos costuma amassar geral mas finaliza pouco, precisa ler com atenção em Sun Tzu. O general ensina: apavorar, cercar e massacrar o inimigo não é estratégia. Acuado, qualquer bicho se vê na obrigação de lutar até a morte e não se entrega. 


"(...) um adversário lutará até a morte. Há que deixar uma saída a um exército cercado. Mostra-lhes uma maneira de salvar a vida para que não estejam dispostos a lutar até a morte. Assim, poderás aproveitar para atacar-lhes"


A sabedoria consiste em sempre deixar uma rota de fuga aberta, uma possibilidade de escape, para que o inimigo desesperado fuja e deponha as armas. Na luta, é preciso que você deixe o oponente desconfortável, mas não a ponto de se desesperar e ficar ali resistindo. A tática perfeita é atraí-lo uma falsa “rota de fuga”, e permitir a ele que dê as costas ou deixe um braço de bobeira ao tentar escapar. E aí finalizar. 




5. Os ingredientes da derrota



Estude a sua própria derrota e saiba porque perdeu
Agora é sério! O general enumera em “A arte da guerra” seis condições básicas para se atrair uma derrota: desdenhar da força inimiga; ausência de autoridade; treinamento ineficaz; cólera injustificável; desrespeito à disciplina; e por fim a incapacidade de utilização dos homens escolhidos. Faça um exame bem crítico e descubra em  quais destes seis quesitos você anda errando. 






6. Não beba o vinho da cólera


Sun Tzu reforça que a ira pode resultar numa fragorosa derrota. Deve-se esvaziar a mente

de questões pessoais, e lutar com inteligência, jamais tomado pela fúria. No terceiro capítulo, o livro remonta uma história curiosa. Era comum, antes das batalhas na China antiga, a troca de cumprimentos e presentes. Assim sendo, um imperador solicitou um pouco de vinho ao general inimigo. O hábil general decidiu ganhar a batalha na provocação: lacrou um pote de urina e enviou a ele. Tomado pela raiva, o imperador perdeu a prudência e imediatamente avançou sobre a cidade, mandando que suas tropas escalassem muralhas e combatessem corpo a corpo. Resultado? “Após 30 dias sem vitória, os cadáveres empilhavam-se até o topo das muralhas. Os mortos excederam metade da força do imperador”. Não aceite provocações.
 


7. Só avance se tiver certeza de sua vitória

Caso contrário fique aonde está. A mesma coisa pra vida real. Se não tem certeza de que 
vai conseguir um aumento, então nem adianta pedir.  Não haja por impulso. 

Respire-se , concentre-se, analise a situação . Você não pode ir para a batalha sem ter  o total conhecimento do que te espera na luta. Seja como o falcão: estude tanto o terreno quanto o seu adversário. 

Estude o adversário e vença!
No terreno, encarre a disputa como um jogo de War e não um torneio de Xadrez. Conquiste territórios, conquiste espaço ao invés de atacar diretamente. Em vez de eliminar e matar as peças do tabuleiro, aumente seu exército aos poucos. Faça a mesma coisa na empresa aonde você trabalha.
Ao estudar o adversário, veja quais são os pontos fortes dele e quando der o bote certeiro vá direto nos pontos fracos. Há duas passagens que ilustram isso:



"O exército vencedor percebe as condições para a vitória primeiro e então luta.
O exército perdedor luta primeiro e só depois busca a vitória."

Conheças seu inimigo e conhece-te a ti mesmo;Se tiveres 100 combates a travar, 100 vezes serás vitorioso"




8. Aproveite as oportunidades

As vezes você só tem uma chance para fazer a coisa bem feita. Na defesa pessoal e nas competições, quase sempre, o momento para o ataque é quando o adversário comete um erro. Aproveite isso! Abriu a guarda? Parta pro ataque! Pintou um clima? Convide a garota pra sair. Talvez depois não funcione!


"Quando o ataque de um Falcão fratura o corpo de sua presa é porque a atingiu na hora certa"






9. Existem algum exércitos que não devem ser enfrentados, e algumas posses que não devem ser contestadas


Você deseja tanto aquela promoção, aquele emprego, aquele troféu do campeonato, aquela mudança para outra cidade que não pensa em como ela realmente será e se ela realmente vai te fazer feliz. Muitas vezes, você deseja a conquista apenas pela conquista e não por um desejo honesto do objetivo final. Será que realmente vale a pena comprar um bem que você quer e se endividar durante meses? Será que vale a pena ir para aquele campeonato ou será melhor treinar um pouco mais e participar do torneio seguinte, tendo muito mais chances de vitória? E mudar de cidade, será positivo? Repense seus objetivos e realmente se imagine vivendo depois de alcançá-lo.  Saiba reconhecer seus desejos com um viés crítico. Não haja por impulso. Às vezes, a melhor maneira de vencer é não lutar. 




10. Use um ataque para explorar um vitória, nunca use um ataque para se recuperar de uma derrota


É fundamental lutar com a força total. Para isso, não lute cansado, não sobrecarregue seu corpo. Saiba a hora de parar. Muitas vezes, partimos para uma batalha só por orgulho. Fomos derrotados uma vez e, logo em seguida, achamos que precisamos recuperar nossa honra e lutar mesmo esgotados. O resultado pode ser desastroso e talvez até gerar uma sequela irreversível ( uma ruptura de ligamentos, uma fratura de cotovelo, etc) . Quando fazemos isso, esquecemos o objetivo final e nossa meta com a guerra e nos focamos apenas em vencer uma pequena batalha. Este é o erro e por isso muitas discussões, debates e relacionamentos terminam mal. O objetivo final com um relacionamento é fazer a parceria funcionar, estar para sempre ao lado daquela pessoa, mas quando queremos compensar alguma briga ou discussão por ego, esquecemos dessa meta e, aos poucos, caminhamos para o fim de um namoro ou casamento. 



11. Supremo mérito: vencer sem guerrear



Vai encarar?
A suprema vitória numa guerra, consiste em em vencer sem que fosse preciso usar a força militar. Sem que um soldado sequer disparasse um mísero tiro. Seja numa guerra, numa briga ou num processo judicial, o preço pode ser muito alto mesmo quando você ganha. E não estamos aqui falando só de dinheiro: tem os aborrecimentos, o tempo gasto, a energia dispendida, a possibilidade de retaliação. O negócio é apelar para  a tática, para o convencimento e para as negociações. Usar a conversa para evitar o confronto e as dores de uma guerra. Treinar duro, se preparar, conhecer as técnicas de defesa pessoal, e estar sempre pronto para qualquer ameaça. Mas saiba que a máxima glória é convencer o outro, olho no olho, com as palavras certas, da  péssima ideia que é enfrentar você. 

Boa sorte!



 Aracaju, 06/06/2016

Felipe Albuquerque
MédicoVeterinário, estuda Aikido, Aikijitsu e Goshin Jitsu
Curioso e questionador,, às vezes fica  na dúvida
se o dojo é um laboratório que prepara para a vida
ou se a vida é um reflexo do dojo




REFERÊNCIAS:


A Arte da Guerra

http://www.graciemag.com/pt/2015/11/evite-o-vinho-da-colera-e-outras-licoes-a-arte-da-guerra-para-lutadores-de-jiu-jitsu/
http://www.f2fitness.com.br/evite-o-vinho-da-colera-e-outras-licoes-a-arte-da-guerra-para-lutadores/
http://manualdohomemmoderno.com.br/comportamento/12-licoes-para-vida- com-arte-da-guerra

Imagens:

http://www.stickgrappler.net/2014/05/gifs-of-sugar-ray-leonard-vs-roberto.html
http://www.gifmania.com.pt/Gifs-Animados-Desportos/Imagens-Animadas-Artes-Marciais/Gif-Animados-Taekwondo/Taekwondo-85490.gif
http://25.media.tumblr.com/tumblr_m8njd2hvrk1qigj88o1_500.gif
http://www.gifmania.com.pt/Gifs-Animados-Objetos/Imagens-Animadas-Brinquedos/Gif-Animados-Board-Games/Chess/

domingo, 7 de dezembro de 2014

A FAIXA PRETA

"Conseguir a faixa preta e parar de estudar 
é como aprender a ler e nunca mais abrir um livro"
(Masafuni Sakanachi- O Desafio do Conflito)


Imagine um lutador de artes marciais ajoelhado na frente do mestre sensei, numa cerimônia para receber a faixa preta obtida com muito suor. Depois de anos de treinamento incansável, o aluno finalmente chegou ao auge no êxito da disciplina.
“Antes que eu lhe dê a faixa você tem que passar por outro teste” , diz o sensei.
“Eu estou pronto”, responde o aluno, talvez esperando pelo último assalto da luta. “Você tem que responder à pergunta essencial: qual é o verdadeiro significado da faixa preta?”
“O fim da minha jornada“, responde o aluno, “uma recompensa merecida pelo meu bom trabalho”.
O sensei espera mais. É óbvio que ainda não está satisfeito. Por fim, o sensei fala: “Você ainda não está pronto para a faixa preta. Volte daqui a um ano.”
Um ano depois, o aluno se ajoelha novamente na frente do sensei.
“Qual é o verdadeiro significado da faixa preta?”, pergunta o sensei.
“Ela significa a excelência e o nível mais alto que se pode atingir em nossa arte.” responde o aluno.
O sensei não diz nada durante vários minutos, esperando. É óbvio que ainda não está satisfeito. Por fim ele fala: ” você ainda não está pronto para a faixa preta. Volte daqui a um ano.”
Um ano depois, o aluno se ajoelha novamente na frente do sensei e mais uma vez o sensei pergunta: “qual é o verdadeiro significado da faixa preta?”
“A faixa preta representa o começo – o início da jornada sem fim de disciplina, trabalho e a busca por um padrão cada vez mais alto.” , responde o aluno.
“Sim. Agora você está pronto para receber a faixa preta e iniciar o seu trabalho!”

(Anônimo)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Sobre meninos, homens e seus rituais de passagem

A enfermidade que impede muitos homens de crescerem.


Por diversos motivos, muitos homens hoje em dia estão confusos sobre sua real identidade. É cada vez mais  comum vermos homens agindo como meninos crescidos e pais agindo como filhos, com poucas percepções de maturidade, caráter e até mesmo virilidade.


Muito se atribui como causa disso: a falta de uma figura masculina, desintegração familiar, decadência social... Mas, algo que foi pouco abordado é a questão da ausência de rituais de passagem.


Típico de sociedades primitivas, um ritual de passagem tem como objetivo mor marcar a passagem de um menino para um novo mundo. Mundo esse aonde comportamentos antigos não serão mais admitidos. Onde é exigido do garoto uma demonstração de bravura, de maturidade. Ao final do desafio, o garoto era acolhido entre os homens como um deles. A partir daquele momento, o homem deixava para sempre as coisas de menino.


É um "pegador" mas não passa de um moleque... Tadinho...

Aí alguém pode questionar: " Por que tais rituais não existiam para as mulheres?" Porque, independente da sociedade, a menina mantem um ritual de passagem fisiológico: a menarca, que marcaria a transformação menina-moça do ponto de vista fisiológico. Ainda hoje nossa sociedade mantem os chamados bailes de debutante, marcando a passagem social da mulher. Além disso, desde cedo a menina é estimulada a cuidar, enquanto que o pirralho se acostuma a ser cuidado.



Em nossa atual sociedade, meninos têm que se virar sozinhos , com resultados em sua maioria desastrosos: sem adultos cuja autoridade respeitem, não raro criam seus próprios rituais marcados por sexo, delinquência e violência. Outros, pelo simples ato da rebeldia - sem causa específica - acabam enveredando por caminhos confusos que agridem seu próprio corpo. E ao atingirem certa idade, nada mais são que pessoas imaturas, sem a menor noção de um verdadeiro homem vela - da melhor forma possível - por aqueles a quem ama: pais, amigos, filhos e companheira. Correm o risco de se tornar eternas crianças que têm que ser perpetuamente protegidas e/ou vigiadas. Poucos conseguem driblar isso.


Nesse aspecto, a prática de uma arte marcial não competitiva como o aikido pode ser de grande ajuda. Quem vence, quem ganha  não importa. Ao contrário, perder uma luta, levar muitos golpes, ser arremessado,  em algumas situações pode ser até mais importante do que bater e vencer. Pois qualquer um se comporta da mesma forma quando sai vitorioso. Qualquer um, quando vence, mostra-se triunfante, seja homem ou menino. Mas só um homem é capaz de enfrentar uma derrota da qual não pode escapar, só um homem mantém a cabeça erguida quando apanha a ponto de ter que abandonar a disputa, aceitando que perdeu sem fazer disso o fim do mundo.

Cada vez que o praticante cai, cada vez que dá 2 tapinhas no tatame, ele é inconscientemente lembrado que pode morrer a qualquer momento, que é falível ,que não é o centro do universo e que a destruição, a revolta é coisa de criança.

Ao se preparar para um exame de faixa - um exemplo de ritual de passagem - ele participa de provações que testam sua resistência física e emocional. Seja demonstrando eficiência em se defender ou se sujeitando a todo tipo de ofensas pessoais sem desistir, eles participam das etapas de um ritual que, ao final, concederá o que mais deseja: ser aceito num novo grupo, ser tratado como um novo homem.

E uma das responsabilidades desse novo homem é manter seus sentidos  mais apurados, pois as lições vão sendo dadas de forma mais sutil (afinal de contas ele cresceu). Aos poucos ele vai descartando  qualquer tipo de força destrutiva que antes o impulsionava a crescer.  E - finalmente - ao perceber  que homens de verdade  constroem e preservam o que é bom - eliminando apenas o que existe de defeituoso- ele chega á grande conclusão: que as coisas de menino não têm mais espaço em sua vida.
Manoel FELIPE Mesquita de Albuquerque
Veterinário e estudante de artes marciais, está atualmente se preparando para um novo ritual




segunda-feira, 13 de agosto de 2012

EXAMES E SUAS FINALIDADES


 (Por Patrick Augé*)


O texto a seguir demonstra a interessante forma de avaliação utilizada pelo   Yoseikan Aikido. Boa leitura!







Há dois tipos de ensinamentos. Um consiste em ensinar o que os alunos querem aprender, e o outro consiste em ensinar o que os alunos precisam aprender. O primeiro decorre de uma atitude de auto-serviço, o segundo a partir de um senso de responsabilidade.

Aqui vamos nos concentrar no segundo tipo de ensino, uma vez que é baseado no princípio de “bem-estar mútuo e prosperidade”, como ensinado pelo Sensei Minoru Mochizuki Kancho através de suas palestras e exemplo.

Primeiro temos de colocar os exames em seu próprio contexto: temos um caminho marcial cujo objetivo é proporcionar aos seus discípulos uma forma de transformar-se em sábios e fortes seres humanos. Com esse entendimento em mente, devemos pensar sobre a finalidade dos exames. Essencialmente, o exame deve ser educativo, ou seja, é uma oportunidade para os alunos aprenderem. Um professor não deve usar das faixas como um meio de estimular ou recompensar os seus alunos. Esta prática pode funcionar temporariamente, mas abre um precedente perigoso. Logo, logo, o professor fica sem “cenouras” e começa a concentrar sua energia no sentido de desenvolver um arsenal de truques para poder manter os alunos interessados. Eu acho que a quantidade de energia gasta não difere muito caso o professor tivesse escolhido a pensar e agir de forma mais responsável. Graduações nunca devem tornar-se um propósito.


Então, qual é o propósito dos exames de faixas?


Pelo que entendi, a classificação é a medida do nível de um estudante de proficiência e do progresso na sua formação com base nos três critérios seguintes: Shin-gi-tai (mente-técnica-corpo), com a expectativa de que o aluno continue a estudar e praticar diligentemente. O objetivo do teste (exame de faixa) é dar aos estudantes uma oportunidade de avaliarem-se sob stress. Uma vez que o aikido não tem competição, o exame é uma parte importante do treinamento. Este teste deve ser completado por períodos de prática intensiva, como kangeiko (treinamento de inverno) e shochugeiko (treinamento de verão).

Como um caminho marcial, o aikido fornece maneiras para treinar-nos a gerir a vida diária. Apenas quando somos expostos a um stress é que podemos aprender a lidar com ele. Se esse conceito for claro na mente do professor, será fácil de explicar para os seus alunos. Devido à natureza do aikido, este atrai pessoas que pensam com profundidade ou querem aprender como fazer. Na minha experiência, eu descobri que a maioria dos alunos entendem esse conceito e o mostram através do seu comportamento. É apenas uma questão de tomar o tempo necessário para explicar.

Aqui está como operamos: Budo é auto-defesa. Este estilo é muito rico em técnicas. A fim de dar o nosso máximo na exposição técnica aos alunos, podemos passar muito tempo em um certo tipo de técnica e suas aplicações, que é sempre precedida pela prática dos fundamentos. Cada aluno deve manter um caderno para registrar tudo o que ele acha importante. Nós não damos aos alunos um currículo escrito. Esta atitude é para desencorajar cursinhos.

Os requisitos básicos são cobertos durante as aulas regulares, os requisitos avançados durante as clínicas. O exame deve refletir a prática regular de um estudante. Isso incentiva o bom entendimento. No longo prazo, ele faz a diferença. Os alunos devem treinar-se no espírito de preparação. Se há um certo grau de incerteza, os alunos acabarão por se beneficiar. Os examinadores estão mais interessados na forma como o aluno lida com si mesmo em uma situação inesperada (o que revela seu caráter) do que em seu conhecimento técnico no momento específico. Quero dar os meus alunos a oportunidade de experimentar o valor educativo dos exames, algo que pode ser usado em outras áreas de suas vidas.

Deixamos todos os novos alunos saberem que podem ser testados uma vez por ano e que é preciso um mínimo de sete anos para shodan. Os candidatos são selecionados de acordo com o tempo, a frequência, o progresso e a sua atitude. À medida que subirem na classificação, os estudantes são esperados para mostrarem mais liderança através de seus exemplos dentro e fora do dojo.

Menos de uma semana antes do exame agendado, os candidatos selecionados são convidados a participarem de um pré-exame. Eles são lembrados da finalidade, etiqueta e procedimentos do exame.

Como no Japão, o exame normalmente ocorre no dojô principal, em um domingo, e pode durar o dia todo. Os estudantes são examinados e avaliados um por um por todos os professores presentes. O exame é gravado – Os candidatos a exames de dan devem escrever um ensaio sobre diversos temas -. Durante as semanas seguintes, os professores corrigem os alunos e enfatizam as áreas específicas que precisam ser melhoradas. Revejo a fita de vídeo e comparo as notas com os outros professores. Cerca de dois meses depois, os professores e eu nos encontramos, discutimos o caso de cada aluno, e decidimos quem deve ser promovido. Então eu faço os comentários para os alunos, geralmente durante uma clínica, e anuncio oficialmente os resultados. Os alunos são lembrados então que o teste é um processo contínuo e que não para com o resultado; que podem recusar a promoção, se eles não se sentem prontos para as novas responsabilidades; que a classificação só é boa enquanto os alunos permanecerem ativos (um estudante que se torna inativo por um ano terá que começar da faixa branca de novo se ele decidir voltar a treinar). Pode parecer radical, mas provou ser um bom tratamento preventivo contra absenteísmo crônico, uma doença comum em muitos dojos. Temos de compreender que um estudante que retorna após uma longa ausência, e está autorizado a utilizar a faixa mesmo quando ele deixou de treinar, define um mau exemplo para os outros estudantes, especialmente se o grau dele era alto. Interrupção de treinamento de um indivíduo é a prova de sua incapacidade de manter as prioridades. Os alunos que voltarem depois de uma longa ausência sabem o que esperar. Utilizamos este caminho por mais de vinte anos, ele exige esforço por parte dos professores e dos alunos, mas vale a pena.

Em relação à pressão sobre a relação professor-aluno, eu acho que os professores devem tratar os alunos como os pais tratam seus filhos. Há muitas coisas que um pai sabe e que uma criança não consegue entender. Um pai responsável irá certificar-se que, não importa quão impopular sua decisão possa ser, é no melhor interesse da criança a longo prazo. Mais tarde a criança vai entender, e isso irá estabelecer sua fundação para educar seus próprios filhos. Esta é a razão pela qual as palestras do professor e as suas atitudes podem levar a um grande impacto em seus alunos, especialmente se eles decidirem se tornar professores mais tarde.

Um professor deve sempre pensar nas conseqüências de suas ações. Ele deve evitar desenvolver relações muito estreitas com alguns alunos, assim como um pai não deve mostrar uma preferência por uma criança em particular. Torná-los “animais de estimação” pode ser como um tiro que sai pela culatra no momento em que os “animais de estimação” precisarem ser disciplinados. Ele também cria ciúmes entre os alunos e prepara o terreno para as hostilidades, políticas e rompimentos. A história do Aikido está cheia desses exemplos. Se o professor tem medo de perder alunos e promove-os por medo de que eles parem, torna-se um padrão perigoso. Como esses alunos são promovidos para cargos mais elevados, sem realmente ganharem suas promoções, tornam-se cada vez menos dóceis. Sua atitude dá um mau exemplo para o grupo, e o professor tem que tomar uma decisão difícil para o bem de todos os alunos. É muito mais fácil não promover um estudante que vai sair com um mal resultado do que acreditar na esperança de que o tempo vá consertar tudo. Perder um estudante pode ser difícil, especialmente para um novo professor, mas vai ajudar a manter muitos estudantes sérios mais tarde. Um maçã podre num cesto vai contaminar todas as outras maçãs, é por isso que se deve jogá-la fora assim que notar.


Também do ponto de vista estritamente de ensino (e o mais importante, creio eu), se um aluno sai com o resultado de ter sido negada a sua promoção, é a melhor prova de que ele não estava pronto para ser promovido. Mochizuki Sensei é um homem de honra, e ele trata a todos como tal. Para ele, assim como para muitos professores de sua classe, uma posição significa: “Este é o nível que eu espero você chegar, estudar e treinar diligentemente. Se não o fizer, então a sua classificação não terá nenhum valor, e assim será óbvio para todo mundo”. No entanto, valores como a lealdade foram desaparecendo com a degeneração da ética (até mesmo no Japão!), e hoje em dia podemos até mesmo ver as crianças usando faixas pretas.

Como temos vindo a refletir sobre a nossa responsabilidade em continuar a missão de Mochizuki Sensei, temos também observado a degradação da qualidade em muitas organizações de artes marciais e do desaparecimento da mensagem original. Se considerarmos, por exemplo, que um aluno pode reter 80 por cento do que ele aprendeu com seu professor, que ensina apenas o que ele aprendeu, e que seu aluno retém 80 por cento do mesmo ensinamento e assim sucessivamente, onde é que vamos chegar depois de algumas gerações? À atividade recreativa? Entretenimento Olímpico? Certamente não ao budô.

Isto é o que acontece quando estamos principalmente preocupados com a promoção e com questões organizacionais, em vez de realmente ensinar o budô. É por isso que devemos fazer como Mochizuki Sensei e seus ensinamentos de professor, presente em nossas mentes e ações. Por esta razão, nós estabelecemos padrões elevados. Nós promovemos apenas os nossos próprios alunos. Nós nos esforçamos para se certificar de que as faixas refletem o nível real dos mesmos. Nos velhos tempos, os alunos que se juntaram a um dojo já haviam recebido o treinamento ético em casa, assim o professor poderia continuar nesse ritmo. Hoje em dia, um professor deve começar do nada e ensinar valores com que a maioria dos alunos não estão familiarizados. Esta é a razão pela qual os alunos Yoseikan sob a nossa liderança que receberam tais ensinamentos fizeram grandes progressos em shin-gi-tai. Nós cometemos erros quando promovemos alunos que deram a impressão de estarem prontos, mas que depois seguiram caminhos diferentes. No entanto aqueles que perseveraram, muito compensa este inconveniente. E nós estamos ficando cada vez melhores ao ver a verdadeira natureza dos nossos alunos.

Relativas ao tratamento de Mochizuki Sensei nos exames no Hombu Dojo, ele se certificou de que iria ver todos os alunos a serem examinados. Todos os exames de kyu e dan tinham de ser tomadas no Hombu. O Shinsa (exame) geralmente acontece em uma tarde de domingo. Todos os shihan (professores seniores) e professores assistentes participam como examinadores. Alunos de áreas distantes no Japão não se importavam de passar um tempo viajando para serem testados na frente de Kancho Sensei. Faz parte de sua shugyo (formação austera). Após o exame, uma clínica foi dada enquanto os shihan comparavam suas anotações. Então Sensei Kancho anunciou os resultados. Sensei tem uma excelente memória e lembra de detalhes que poucas pessoas notam. Cada aluno iria receber um comentário pessoal. Testes com Kancho Sensei tinha um valor especial. Seus comentários eram simples, mas muito profundos. Nós não poderíamos esquecê-los! Ele poderia dizer a personalidade do aluno pela maneira como ele atuou.


Patrick Augé
Patrick Augé (7º Dan, Shihan, Yoseikan Aikido) é o diretor técnico da Federação Budo Yoseikan Internacional para América do Norte. Ele começou a estudar artes marciais em 1962 no judô. Viveu por sete anos como uchideshi de Minoru Mochizuki sensei na década de 1970 e está atualmente em Los Angeles.




Link para o original: AIKIWEB
Publicado em português em março de 2012 por :Aikido Impressões 


Imagens: Divulgação

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A cor da faixa





"O objetivo da faixa é apenas segurar as calças"




Pesquisando sobre o polêmico assunto das faixas coloridas, encontramos um texto do professor de aikido do Seishin Dojo Tharso Vieira que foi publicado no blog do Seishin Aikido. Confira o texto (muito bem escrito por sinal) na íntegra aqui.
Aí vai um resumo do texto
1. O padrão no Brasil é o de faixas coloridas, mais como uma forma de incentivo aos alunos. Europa, Japão e EUA não utilizam esse sistema ;
2. O sistema de faixas branca/preta trata os alunos como iguais e, principalmente, como adultos;
3. Faixas coloridas dão uma estranha e falsa sensação de que uns são mais que outros, quando na verdade, graduação é o que menos importa quando se está praticando.A estética japonesa preza bastante o minimalismo e o aikido herda isso por razões óbvias;
4. Estética. O Sensei Tharso acha que só com as cores branca e preta o treino fica mais bonito =).

Bom, devo dizer que - mesmo não fazendo parte do mesmo estilo - concordo com a opinião do sensei Tharso.

Tradicionalmente, não havia graduações de faixas nas artes marciais. Na China, por exemplo, referia-se ao nível do praticante comentando seu tempo de prática ( homem com 3 anos de treino, homem com 5 anos de treino, etc). No Japão, as escolas tradicionais (koryu) adotavam um complicado sistema de graduação. Mas aí entrou na jogada um pedagogo que revolucionou tudo que se conhece hoje por arte marcial: Jigoro Kano, o fundador do judo.

Sensei
Kano, unicamente por questões didático-pedagógicas, diferenciou os alunos mais adiantados (que poderiam ajuda-lo a ensinar, a conduzir o treino) faixas pretas e deixou todos os outros com faixas brancas. Assim, haviam apenas faixas brancas e pretas.

Entretanto, não era comum se lavarem as faixas (obi) e começou a acontecer que, devido a uma série de fatos (treino exaustivo, suor, etc) as faixas brancas de quem tinha mais tempo de treino e consequentemente mais prática, mais técnica, irem escurecendo, ficando num tom bem próximo ao marrom... Daí para simplesmente colocarem a faixa marrom, foi um só uma questão de tempo.

Salientamos que o objetivo não era o de inflar o ego de ninguém. Era apenas o de facilitar a pedagogia, criando monitores de ensino. Ainda hoje, no judo, nos treinos específicos de faixas pretas, o instrutor frequentemente utiliza uma faixa azul (como forma de facilitar a identificação dele por parte dos treinados).


MInha faixa sempre foi branca. Vai encarar?


Voltando às cores das faixas, o sistema deu tão certo que logo foi adotado por outras artes marciais como o karate. Entretanto, essa transição da branca para a marrom não se dá num passe de mágica. Isso é fruto (literalmente) de suor, de empenho, de dedicação. E isso leva tempo. Ao chegar no ocidente, observou-se que uma parcela significativa dos alunos ( por aspectos culturais) queira ver resultados imediatos. Assim, apenas para servir de incentivo ao aluno, criou-se o modelo de várias faixas coloridas antes da preta.

A partir daí os sistemas divergem bastante: a cor que é adiantada para um estilo para outro indica um iniciante. Por exemplo, na maioria dos estilos de hapkido e taekwondo, a faixa vermelha é uma das últimas antes da preta. Em outros sistemas, como o shotokan ela é a 2ª faixa dos iniciantes!

Na maioria das artes japonesas, ao se atingir o 5º dan, é permitido utilizar as faixas de cor vermelho e branca ou laranja e branca, porque são as cores das bandeiras do Japão. Paradoxalmente, existem artes como o kendo (caminho da espada) onde não existe sistema de faixas. Ela continua servindo apenas como uma peça de vestuário!

No MAK ( Makoto Aikido Kyokai) utilizamos o sistema tradicional: Até o 3º kyu o aluno só pode usar a faixa branca. A partir do 2º kyu já é autorizado a utilizar a marrom e a partir do 1º dan tem permissão de portar a faixa preta.


Manoel Felipe Mesquita de Albuquerque
Veterinário, aspirante a blogueiro, viciado em aikido e em tudo o mais que a vida tem de bom.

Imagens: Divulgação

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A importância do teste no aikido

É comum o estudante ficar inseguro com relação ao exame de graduação.

“Considerando que o aikido é uma arte marcial não competitiva; que eu não estou interessado em sobrepujar ninguém; que não quero me exibir “para as outras crianças”; que não tenho a pretensão de ser um grande mestre e que, por último, no Senshin nem se usa faixa colorida… pergunto: Pra que teste de graduação?”



Nesses 8 anos de Senshin, já me deparei com perguntas assim algumas vezes. Agora, aproveitando a chegada de mais um teste, que será realizado no próximo dia 8/maio, vou dar alguns argumentos para aqueles que estão inseguros ou acham que fazer o teste não é legal.







1. Rito de passagem - Toda sociedade/comunidade marca momentos na vida de seus membros com cerimônias que representam não apenas uma transição particular do indivíduo, com também sua progressiva aceitação e participação na sociedade onde está inserido. Ou seja, há tanto o cunho individual quanto o coletivo. Exemplos abundam: batizados, formaturas, casamentos etc… O que nos leva ao segundo ponto:

2. Assumir responsabilidades - Sim, você já pratica há algum tempo e, assim como sua técnica evolui, sua responsabilidade também é progressiva. Para os iniciantes (kohais), é importante ter alunos mais experientes (sempais) como referência.
Alunos graduados melhoram o nível de um dojo. O problema com essa afirmação é que há dojos onde as graduações são praticamente distribuídas com o único intuito de fazer o dojo parecer melhor do que é. Sobre isso, o que podemos dizer é que no Senshin nos sentimos absolutamente responsáveis pelo progresso de cada aluno e jamais faríamos a sacanagem de oferecer uma graduação para alguém que ainda não está preparado.
Sem demagogia: nossos alunos são importantes demais para nós e para o dojo e, além disso, quando um deles está num seminário ou coisa parecida, ele é reflexo do que nós somos. Jamais deixaríamos que fizessem papel de bobos, pois os maiores bobos seríamos nós. No Senshin, não. =)

3. Prestação de contas - Na escola você faz provas, na faculdade também. No trabalho, é bem possível que você tenha de prestar contas de algum modo. Na maioria dos esportes, você treina e depois vai competir (uma forma de avaliação, não?). Se você faz tudo isso numa boa, por que não encarar mais essa prova e dar a seus instrutores a alegria de saber que você está fazendo a sua parte? =)

4. Ferramenta pedagógica para os instrutores - Para nós, instrutores, é importante observar como as pessoas estão evoluindo, pois essa evolução é um reflexo direto do que estamos ensinando e de como estamos fazendo isso. Se várias pessoas estão cometendo o mesmo erro, isso é um indicativo de que devemos prestar mais atenção a determinado ponto. Se todos têm dificuldade em alguma técnica específica, talvez estejamos praticando pouco essa técnica.
É claro que durante as aulas estamos atentos a cada um, mas no momento do teste, podemos nos concentrar em observar cada detalhe, fazer anotações e discutir a respeito. Sim, sempre após cada teste, eu e Clauber nos reunimos em particular e conversamos sobre tudo o que vimos no tatame.

5. Estar sob pressão - O momento do teste é tenso. Você fica mais cansado do que ficaria se estivesse treinando normalmente. Além disso, em geral, sua técnica piora um pouco. E isso justamente naquele dia em que todas as atenções estão voltadas pra você, inclusive com câmeras ligadas e, não raro, familiares na platéia. E sabe do que mais? Pode ter certeza de que tudo isso está na nossa conta.
Eu explico: a gente sabe que você ficará nervoso e que talvez erre ou esqueça de algo. Mas é justamente esse o cenário necessário para você aplicar o que anda aprendendo. No dia a dia, por mais “realidade” que tentemos imprimir nos treinos, você está sempre seguro, praticando com amigos numa situação absolutamente controlada. E o teste tira você dessa zona de conforto. Não estou dizendo aqui que a tensão do teste de graduação seja a mesma de uma situação de conflito real, mas ela é o mais perto disso que queremos levar nossos alunos.

6. Registrar sua evolução - Garanto: será bem divertido rever seus exames em vídeo no futuro.

7. Depois tem festa! – Seu esforço será recompensado. Depois de todo exame há uma festa… E vc não quer ficar de fora, né? Nós não queremos que você fique.

8. Evoluir – Você pode até discordar de todos os meus argumentos anteriores, por isso deixei este pro fim. É um fato: todo aluno sai do processo que inclui treinos e o teste em si, com o aikido melhor do que era antes.








Tharso Vieira

O texto foi escrito em abril de 2004 pelo sensei Tharso Vieira, que gentilmente concordou em ceder seu material. Sensei Tharso é jornalista e Dojo-Cho do Seichin Dojo e é ligado ao Shihan Yamada, do New York Aikikai.

Vez que foi postado pela primeira vez em outro site, solicitamos que quaisquer comentários a respeito sejam postados diretamente no site original do autor a fim de engrandecer as conversações a respeito
link para o artigo original Senchin Dojo: http://senshin.com.br/2010/05/a-importancia-do-teste-no-aikido/


 
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