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sábado, 29 de julho de 2017

SHOTO: A ESPADA CURTA DOS SAMURAIS


Quando se fala em samurais e espadas de samurais a primeira imagem que se vem aà cabeça é de um guerreiro empunhando um KATANA ( sabre) . Mas vamos lembrar que o samurai portava em seu DAISHO ( conjunto de espadas) pelo menos 2 lâminas:

  1. Um  sabre maior: normalmente um KATANA, que era utilizado quando fosse preciso combater em campo aberto ou em grandes espaços. Esta arma media entre 61 e 70 cm e o sua empunhadura era feita com as duas mãos
  2. Uma espada menor ( SHOTÔ )  , que media entre 30 e 60 cm, para ser utilizada em espaços reduzidos, como o interior de uma casa. A empunhadura era de uma mão e normalmente o samurai não se separava dela, levando consigo inclusive para o banho e para dormir. Haviam basicamente 2 tipos de SHOTO: 

  • Uma KODACHI . Era uma versão menor do TACHI, um sabre refinado, mais usado pela aristocracia.
  • Um KATANA de dimensões menores, chamada wakizashi (espada companheira). 


O mestre Hiroyuki Sanada  mostra que -mesmo em campo aberto -
 o SHOTO pode ter  vantagens em relação ao KATANA



No Japão Feudal haviam escolas específicas para ensinar o manejo do SHOTO (sabre curto). E lembramos que - em se tratando de sabres e espadas- tamanho não é documento. O SHOTO tem algumas vantagens em relação ao KATANA: pode ser desembainhado mais rapidamente e se adequa mais a espaços pequenos, por ser mais leve, cansa menos o espadachim, além de ele poder usar com facilidade um SHOTO em cada mão. Todas essas razões fazia do SHOTO a espada preferida pelos praticantes da arte shinobi ( ninja)

Além disso, havia estilos de kenjutsu ( arte da espada) que defendiam o uso das duas espadas simultaneamento. Misamoto Musahi, considerado por muitos como o  maior espadachim do Japão , em sua obra Gorin no Sho (O Livro dos Cinco Anéis),  advoga o uso das duas espadas, dizendo ser "indigno do samurai morrer com uma espada ainda embainhada".

Bons treinos!

Aracaju, 27/07/2017

Felipe Albuquerque
Alterna seu tempo entre Medicina Veterinária, Artes Marciais,
gato, mulher, filhos, cursos, vinhos  e nerdices
Nas horas vagas escreve pra este blog do MAK ARACAJU



Referência e Imagens:

sábado, 8 de julho de 2017

A MAKHILA BASCA

A makhila

"Makhila" (às vezes grafada makila) no Euskara (Língua Basca) literalmente pode significar "vara", "bastão de caminhada, "bengala" ou maça. A primeira vez que ouvi falar dessa arma  foi lendo um livro fantástico chamado SHIBUMI. Nele, um dos heróis é do País Basco e empunha uma makhila. Demorou muito até eu ter a oportunidade de escrever sobre ela.


Chamar a makhila de simples bengala é desmerece-la. Além de ajudar a se locomover nas montanhas, é um símbolo da cultura basca, sendo usadas inclusive em danças folclóricas. Também são dadas a alguém  em homenagem por seus préstimos ou feitos heróicos. Nesses casos as parte metálicas da makhila são entalhadas em  em ouro ou prata e normalmente tem um comprimento padrão de 1,20 m.

Tão boa é a makhila que seu design permaneceu inalterado por séculos. Seu comprimento varia conforme a altura do indivíduo, indo desde a altura dos quadris até a altura do osso esterno, ou seja de um metro a um metro de quarenta. No fundo é muitas vezes parafusado uma virola de metal (espiga sem corte para facilitar a tração). A alça também é frequentemente coberta de couro metálico ou tecido para formar um punho, com um cordão preso ao fundo desta pega. O bastão é tapado com um botão achatado, chamado pomo), que pode ser feito de  chifre, aço ou bronze. A parte superior que consiste no botão e no punho da mão pode ser puxada para fora da parte superior da vareta, revelando uma  lâmina oculta, o que efetivamente transforma o cajado numa lança curta. 

Esta lança transforma a makhila de uma excepcional ferramenta para os pastores e montanheses numa arma formidável para a defesa pessoal contra ladrões e predadores ferozes como lobos . A arma pode ser movimentada pela alça para ataques rápidos, ligeiros ou usado da maneira oposta para atacar com o pomo. Como último recurso, o cabo pode ser retirado de forma extremamente prática e a lança mortal é revelada.

Como a makhila é feita
Quando se remove o cabo,
a Makhila revela uma lança
extremamente eficiente
O processo de fabricação é impecável e pode demorar anos: A madeira empregada é de excepcional qualidade. Um dos ramos da árvore ainda jovem é marcada pelo artesão na primavera. O corte ocorre no outono, tempo pelo qual a madeira cura e expande o desenho na sua superfície.  O artesão então retorna para a árvore aonde ele marcou o ramo, corta-o,  remove a casca e apruma o eixo usando um aquecimento cuidadoso num forno. Depois disso, o bastão deve ser armazenado por vários anos, a fim de que fique adequadamente seco. Uma vez que isso aconteceu, a madeira é manchada usando um método secreto e, em seguida, equipada com as várias faixas de metal e acessórios. O artesão então assina seu trabalho com o símbolo ou o nome de sua família e também gravará no pomo da makhila uma identificação do proprietário ( nome ou brasão da família ou mesmo um outro texto previamente solicitado).


Referencias

domingo, 2 de julho de 2017

SJAMBOK

O Sjambok é um pequeno - porém poderoso- chicote feito com couro e com uma alça nas extremidades. Normalmente tem  um pouco mais de 50 cm, mas  algumas versões podem ser mais compridas. 


Foi bastante utilizado pela polícia da África do Sul na época do Apartheid para controlar manifestações e protestos. Acreditamos que as imagens darão uma noção mais real do seu poder. Apesar de ser oficialmente uma arma não letal, o sjambok causa severas lesões não  apenas na pele mas também nos tecidos abaixo dela.

Se precisar empunhar um... sugerimos que o empregue com sabedoria

Felipe Albuquerque
Entendendo que para se fazer entender as vezes é melhor empregar poucas palavras


REFERENCIAS E IMAGENS


COLD STEEL

sábado, 24 de junho de 2017

DARDO: DE ARMA USADA EM GUERRAS À MODALIDADE OLÍMPICA

HOJE UM ESPORTE OLÍMPICO, O DARDO JÁ FOI UMA ARMA DE EXÉRCITOS



Peltastes em formação de batalha
O DARDO (do germânico: darothuz) é uma arma de arremesso, com ponta de metal (cobre, bronze, ferro, aço) ou pedra talhada, semelhante a uma lança. Foi utilizada por muitos povos em eras diferentes e seu tamanho era varável (os gregos empregavam dardos da altura de um homem). Hoje o dardo é uma prova olímpica e tem aproximadamente 2,6 a 2,7 m de comprimento por 2,5 a 3 cm de diâmetro e pesa 800g 

Alguém pode perguntar: mas o dardo não é apenas uma lança curta?

Lanças e dardos são armas diferentes com finalidades diversas. O dardo era uma arma leve, feita para ser arremessada, um projétil mesmo. Era usado à longa distância, antes da frente de um exército colidir com outra. Soldados chamados peltastes ( normalmente na linha defensiva) eram armados com dardos e os lançavam sobre as tropas. Assim, os soldados hoplitas (infantaria pesada) poderia avançar com mais  segurança e destruir o inimigo.

Já a lança até que podia ser arremessada, mas seu emprego básico basicamente para lutar diretamente com o adversário, causando ferimentos de raspão, corte, estocada e empalamento.

Os antigos gregos preferiam utilizar dardos enquanto outros povos empregavam arcos e flechas


Imagine o impacto que um dardo gera ao cair do céu e atingir alguém

Mas não apenas os gregos usavam o dardo. Os romanos empregavam basicamente 2 tipos de dardo: o Pilum e Martiobarbulum

Pilum

Pilum
O dardo grego era leve e certeiro, mas como era muito frágil um golpe de espada poderia quebra-lo. Os romanos encontraram a solução ideal criando o pilum. Ele tinha uma ponta de metal piramidal tornado difícil de ser arrancado, um longo pescoço de metal para resistir aos golpes de espada e para que a ponteira toda se dobrasse ao invés de se quebrar. Isto impedia o reaproveitamento do pilum e fazia com que o pilum cravado na carne dificilmente fosse arrancado. Quando se cravava no escudo do inimigo (principalmente os celtas) deixava o escudo muito pesado para ser usado.


Martiobarbulum

Martiobarbulum
A crise econômica  do Império Romano após anarquia militar do século III fizeram o pilum ser substituído pelo martiobarbulum (barba de Marte) ou plumbata (dardos curtos feitos de chumbo).  Eles precisavam de menos chumbo e de artesãos menos habilidosos para serem feitos, cada legionário poderia carregar vários deles no lado interno de seus escudos parma. E não eram caros como arcos ou necessitavam de grande treinamento. Mas seu alcance era sofrível e não tinham os efeitos formidáveis do  pilum.

Bons Treinos!

Felipe Albuquerque
Médico Veterinário, estuda Aikido, Aikijitsu e Goshin Jitsu
Seu maior desafio: ser um bom pai para um par de olhos que sempre o está observando




REFERÊNCIA e imagens: 

sábado, 10 de junho de 2017

A FACA PEIXEIRA



A faca peixeira dispensa apresentações
Aproveitando os festejos juninos e as tradições nordestinas, vamos hoje falar de um dos maiores símbolos do vaqueiro nordestino: a faca peixeira.

Chegou no Brasil no século 19, vinda da Europa. Realmente não se sabe se foi desenvolvida para cortar peixes. Entretanto, essa ferramenta se fixou logo no litoral e ganhou a preferencia de pescadores e pessoas que negociavam com peixes. Daí o seu nome.

Com o passar dos anos, a faca peixeira foi ganhando todo o nordeste brasileiro. E foi se tornando uma ferramenta do dia a dia, tanto nas cozinhas, quanto na lida com o gado. O comércio também a adotou. E rapidamente se tornou uma arma branca muito temida, sendo portada até a primeira parte do século 20 pelos homens do nordeste do Brasil.

Diferente do que diz a lenda popular, nunca  foi uma arma de cangaceiros. Os cangaceiros empregavam um punhal bastante comprido. para degolar e decepar.

O Punhal dos Cangaceiros dos anos 20


A faca peixeira foi empregada em duelos ate a morte, aonde asa camisas dos adversários eram amarradas uma à outra e só acabavam com a morte de um dos oponentes.

É uma ferramenta comprida e afiada, com uma lamina de aço -inox ou carbono- de fio liso, cabo de madeira fixado por rebites de alumínio. A lâmina tem grande resistência e poder de corte. Isso tudo aliada a um preço popular ainda a faz uma arma extremamente acessível para todas as camadas sociais da qual se deve manter muita distância.



FELIPE ALBUQUERQUE
Cabra da Peste por nascimento, Médico Veterinário, por opção, estudante de artes marciais por paixão
Tem como hobby defender os animais, salvar o dia e beijar a mocinha

A SHIKOMIZUE (仕込み杖): a espada disfarçada

A shikomezue normalmente parece um boken.
Mas haviam outros modelos que
ficavam embutidos em uma bengala


shikomizue (仕込み杖) quer dizer "espada preparada". Trata-se de  é uma espada japonesa de lâmina reta especialmente produzida para ser acondicionada em um cajado ou em uma bengala ou mesmo um boken (espada de madeira).

Após o término do Período Edo no Japão, da extinção da classe samurai e da adoção da política de proibição do porte de espadas em público houve a popularização da Shikomizue como símbolo de preservação dos antigos costumes, num cenário onde muitos samurai ficaram insatisfeitos com o fim dos antigos privilégios da classe. Sua lâmina, mais fina e frágil do que a da katana acondicionada em um cajado era mais discreta, podendo ser usada em público sem levantar maiores suspeitas.

O Soke Hatsumi do ninjitsu Bujikan sabe muito bem como empregar uma shikomizue

Entre as características da Shikomizue podemos notar que a lâmina também é de um tamanho relativamente menor comparada à lâmina de uma katana. A lâmina de uma Shikomizue tem por volta de 1.8 shaku (55 centímetros) de comprimento. Essa espada também não possui "proteção das mãos", a tsuba. Uma espada tão peculiar e aparentemente inferior possibilita uma aplicação mais apurada da técnica e da arte da espada, o kenjutsu. Entretanto, o poder de contra-ataque que a dissimulação da lâmina confere a shikomizue é único, só comparável à makhila basca. Essa espada ficou famosa na ficção pelo personagem Zatoichi.

Bons treinos!


Aracaju 10/06/2017



Felipe Albuquerque
Médico Veterinário de formação, artista marcial de coração
Acredita que conhecimento só é poder quando é compartilhado. Tem uma pergunta? Escreva pra ele


Referencias e imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Shikomizue
http://www.hanzoswords.com/assets/images/k-890-rd_1.jpg
https://www.youtube.com/watch?v=wgGQPM2wPY8

sábado, 29 de abril de 2017

O QUE EU FAÇO SE FOR ATACADO POR UMA FACA ? - 2ª PARTE

Balas podem errar o alvo. Facas raramente erram...
Dando continuidade a primeira parte do texto traduzido e adaptado para a língua portuguesa originalmente publicado no blog Esgrima Criolla e escrito por Jorge Prina, mostramos as estatísticas do experiente mestre em ataques de facas. Lembramos que o texto original está em espanhol e uma tentativa de adaptação para a língua portuguesa  foi feita por nós. Caso sejam identificadas falhas na tradução , favor enviar-nos pelo e-mail mangustonegro@yahoo.com.br. Excetuando-se o vídeo faca x arma de fogo, as imagens não são as originais e seus créditos estão registrados nas referências na parte final do artigo. Boa leitura!

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Saber DEFESA PESSOAL  vai ajudar contra uma faca?

Antes de responder a esta pergunta,  vamos mostrar algumas estatísticas:

Em 1992 Darren Laur, instrutor de táticas defensivas para agências de aplicação da lei em nos Estados Unidos, fez um experimento simples: ele selecionou  85 funcionários ativos e os fez participarem de uma situação em que o agressor atacou o participante com faca de borracha.

Os resultados:
3% das pessoas eram capazes de ver a faca antes do ataque
12% das pessoas só perceberam que era um ataque de faca após serem esfaqueados várias vezes.
85% das pessoas só perceberam que estavam atacado com uma faca ao final do experimento, quando o pesquisador pediu para ser verem se tinham feridas (a faca foi embebida em tinta)


Esta experiencia  confirmou algo amplamente conhecido na rua:

Na na maioria das vezes a vítima vai não notar a presença de uma faca nas mãos de seu atacante até que seja tarde demais 


Por que 97% das pessoas no experimento  não conseguiram  em ver a faca?

Existem algumas  explicações:

Não tentem fazer isso em casa
  • Na maioria das vezes o bandido procura esconder a faca até ter a certeza de que pode surpreender a vítima e subjuga-la;
  • Em casos de roubos, uma faca é um elemento intimidador, inibindo reações por parte das vítimas. Além disso, o meliante não anuncia que vai atacar ou estocar;
  • Quando o ataque é realizado , o organismo secreta adrenalina (resposta de sobrevivência ao estresse) que, entre outras coisas reduz a percepção de detalhes e visão de túnel aciona-lo é ativado.
  • A maioria dos ataques feitos na rua são executados à média distância ou com numa distância menor que um metro. É  difícil de ver algo tão pequeno como uma faca mostrada apenas no último momento;
  • A maioria dos ataques conta com o elemento surpresa a favor do agressor;
  • Em situações de estresse elevado, os golpes com a faca podem ser sentidos como se fossem golpes com as mãos vazias. Há inúmeros casos de pessoas cortadas por facas que dizem que - quando viram sangue- pensaram que o sangue era do agressor e não seu;
  • Um braço se move a uma velocidade de aproximadamente 6,25 m / s, ou seja, leva cerca de 0,16 segundos para  atingir uma alvo que esta numa distancia inferior a um metro. Assim, é muito difícil uma pessoa identificar a agressão, se posicionar fora da linha de ataque e conseguir aplicar uma contra técnica. Normalmente quem se saiu bem de um ataque de faca não foi ferido mortalmente, mas apresenta cortes defensivos.
  • Veja a velocidade a que pode chegar um ataque.
    Quantas pessoas teriam sucesso em se defender disso?


    Em ataques surpresa a maioria do indivíduos ou fica paralizado ou recua. Pouquíssimos indivíduos respondem com um contra golpes. Bem, na dúvida entre correr ou não , lembremos que o agressor se move mais rápido ( afinal é mais fácil andar para frente que andar de costas) que o atacado. Desta forma, a vítima está sempre ao alcance da arma.

    Se a vítima tentar agarrar a mão que a agride pode falhar. E essas falhas podem terminar numa situação desesperadora. Enquanto isso, a vítima recebe vários cortes. Alguns tentam a bloquear os cortes (cortando-se nos antebraços). Pode funcionar, mas  o problema é que, dada a velocidade do ataque (veja a figura acima)  em alguns casos só conseguimos bloquear menos de 10% deles.

    Se a distância encurtar, o defensor tende a agarrar o agressor (clinchando o adversário), fazendo com os adversários continuem o combate no chão e fazendo com que o defensor perca  dois fatores importantes para manter sua integridade: distância e mobilidade.

    Em distâncias curtas uma faca é tão perigosa quanto uma arma de fogo.

    A distância entre o agressor e o defensor raras vezes permite tirar a pistola do coldre, destrava-la, realizar a mira e atirar antes  que a faca atinja o seu destino. E a menos que o tiro seja preciso (cabeça, coração, região cervical), uma pessoa ferida ainda é capaz de continuar atacando até que cair pela  perda de sangue.

    Arma de fogo x faca: Na curta distancia a faca normalmente vence
    E olhe que a arma já estava destravada!

    A lâmina tem várias características que a tornam perigosíssima: não  fica sem balas, não apresenta avarias, não exige pontaria para acertar o alvo, para causar um dano letal basta que penetre a 2 cm do corpo e causa mais hemorragias e num ritmo mais rápido que um projetil. Normalmente neste tipo de briga quem sangra mais é o que cai primeiro. À curta distância, durante a execução de um ataque com facas, tentar retirar uma arma de fogo (de qualquer tipo) do coldre, não é apenas impossível: é loucura mesmo! Um exemplo: sacar uma pistola, destrava-la e atingir um alvo em 2 segundos é algo raro e digno de aplausos. Nesse mesmo tempo, uma pessoa medianamente treinada pode desferir 1 ataque de faca por segundo. Se acha isso pouco tempo, imagine que antes de você sacar sua arma de fogo, pode levar cerca de cortes de alguém portando uma faca. é muito estrago!

    Psicologicamente a faca assusta mais que o revólver
    Existe ainda um fator psicológico: por muitos motivos, uma faca assusta mais que um revolver. Existem muitos sistemas de esgrima com a faca, utilizando esta arma como um meio de defesa pessoal. A maioria dos sistema é baseada em estilos duelistas ( um contra um)  geralmente baseados em duelistas estilos (um a um). E aí surgem as perguntas sobre a velocidade de abertura da navalha, sobre o quanto isto é intimidatório, sobre o quanto isso influi no sucesso no malfeitor, que sempre busca um vítima mais fácil.

    Entenda que  mortes por facadas normalmente são causadas devido à grande perda de sangue. Ou seja, se a vítima perder 30% ( 1,5 litros) de sangue, a possibilidade de morrer é grande.  Perder esse volume é dificil e demora, exceto se os cortes forem nos grandes vasos sanguíneos. Se as grandes artérias não tiverem sido atingidas,  lembre-se que  o atacante ainda é capaz de fazer estragos. Até que a ameaça não tenha sido  neutralizada permanece uma ameaça.

    Para aqueles que não têm uma vasta experiência em auto - defesa ou sistemas de faca, é importante saber que o problema não é ser cortado, mas assegurar que o corte recebido não seja tão grave que o impeça de lutar pela sua vida e pedir ajuda caso tenha essa oportunidade. Lidar com essa ideia permite a superar a impressão de ser ferido e mais tarde colapso psicológico que termina numa atitude derrotista. A mente orienta o corpo e diante de uma agressão é preciso saber do se é capaz, de usar apenas a força necessária e saber quando a parar. A  preparação psicológica para esse tipo de conflito é desconhecida até que aconteça, o cenário nunca é o mesmo do imaginado, você não pode prever as diversas variáveis de um conflito: 

    • a topografia do terreno
    • o numero de participantes;
    • as rotas de fuga
    • Se existem outros a serem protegidos ( crianças, esposa, etc)

    Bom para terminar, deixo algumas poucas palavras para serem consideradas e estudadas:

    DISTÂNCIA.
    PROTEÇÃO.
    OBSTÁCULOS.
    ARMA IMPRÓPRIO.
    VELOCIDADE COM QUE A FACA É DESEMBAINHADA
    FUGIR.
    ATITUDE.
    ADAPTAÇÃO
    SOBREVIVENCIA

    Imagens
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    https://mindspaceapocalypse.files.wordpress.com/2015/03/wpid-tumblr_mx91nqvavg1r0tytoo1_400.gif?w=720
    https://media.giphy.com/media/e4RjvgslmvgB2/giphy.gif
    http://www.hapkido-defense-system.com/Knife%20defenses.htm
    https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjXU86-mlDbex2fIlVSRA_SwnAuIgDjSqz3PjDKnGmV01D_nVRsXKj4Jb7CE2VToY9XxKLH9a6jozjnxmyMDpCfYzUZbOnfMoXnllml_htl_DHtmxSAwgFb1T37O45c__u5W6iIE2IjVVE/s1600/AboveTheLaw-16-sg.gif
    https://romancatholicimperialist.blogspot.com.br/2016/07/muslim-terror-attack-japan-muslim-stabs.html
    https://www.youtube.com/watch?time_continue=94&v=6Qg-bu0HgrM


    Se voce gostou desse texto, vai gostar também de:

    O que faço se for atacado por uma faca ( 1ª parte)
    KALI KALASAG: PRATICO E EFICIENTE
    A PERIGOSA ESGRIMA CRIOLLA

    O QUE EU FAÇO SE FOR ATACADO POR UMA FACA ? - 1ª PARTE

    Muito rapido;;; E brutal!
    O texto de hoje  foi retirado do blog Esgrima Criolla e foi escrito por Jorge Prina, um estudioso da esgrima gaúcha e grande especialista em ataques de faca e facão. O texto mostra uma abordagem realista sobre uma arma que não erra o alvo: a faca. O texto está em espanhol e uma tentativa de adaptação foi feita por nós. Caso sejam identificadas falhas na adaptação , favor enviar-nos pelo e-mail mangustonegro@yahoo.com.br . As imagens não são as originais e seus créditos estão registrados nas referências na parte final do artigo. Mais uma vez, devido ao tamanho do post, optamos por dividi-lo em dois parte. Boa leitura!

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    O que eu faço se for atacado por uma faca?

    Ele seria extremamente irresponsável para explicar aqui como tecnicamente lidar com este problema, mas podemos discutir isso , e ver como flui do senso comum.

    A principal coisa é ..Se o atacante estiver à distância, eu devo correr? Sim, se você tem uma boa distância, e se você tem a certeza que uma vez que a perseguição for iniciada ele não vai conseguir te alcançar ( caso contrario o agressor pode enfiar uma faca em suas costas), OK, pode funcionar. Senão, terá que enfrentar o problema. Geralmente quado se chega ao ponto de encarar um malfeitor com uma faca, é sinal de que você não tem a distancia certa pra fugir ...

    Se puder usar um escudo... USE!
    Qualquer coisa pode ser usada como escudo, inclusive um cinto.
    E chutes baixos podem ajudar um bocado!
    Uma das  medidas a tomar é saber que usar um objeto no incidente como um escudo de defesa ( pode ser uma jaqueta, mochila) pode deter os primeiros ataques.

    Outra excelente medida é dar  chutes baixos(no máximo na altura da coxa), pois mantem a distancia da faca longe de seu corpo e pode dar espaço para fuga. Lembre-se sempre de que para a fuga ter sucesso você deve ter uma boa visão perimetral da área , conhecer o terreno (sua vizinhança por exemplo) e ter uma boa noção do numero de delinquentes. se estiver faltando um desses fatores, sua fuga tem poucas chances de  dar certo..

    É importante lembrar que , durante um assalto ficamos num estado de nervos diferente, e o corpo produz  uma resposta fisiológica, liberando adrenalina. Nesses casos ficamos com a chamada "Visão de Túnel", só vemos o que está na nossa frente, nosso sangue é desviado de outros órgãos (por isso ficamos pálidos) e é desviado principalmente para nossos músculos e nossa força aumenta (lembre-se que essa reação demora menos de um minuto) e mesmo que a ação do meliante seja rápida, ao descreve-la parece que estamos contando um filme de mais de duas horas. Assim, é melhor procurar resolver estas situações da forma mais rápida possível



    Tanto em sistemas de combate como em MMA nos são mostradas uma série de técnicas para resolver este problema. Algumas são boas outras infelizmente são ruins. Então qual escolher? O conselho que eu daria seria , sem dúvida,  escolher as técnicas dos sistemas voltados para a defesa pessoal, que abordem desde a prevenção até a ação propriamente dita.

    Se eu for ferido por uma faca, posso continuar a lutar e só perceber o corte apenas mais tarde; ou pode acontecer que minha volemia (volume de sangue) caia e eu acabe desmaiando. Existem ainda casos conhecidos de homens corajosos que tendo colocado sua mão na barriga cortada - a fim de segurar suas vísceras- ainda continuava lutando tal qual um leão. E ainda existe os corte em artérias vitais, tais como as carótidas, artéria braquial, coração. Por isso precisamos proteger nosso corpo.

    Agora, falamos sobre como a defender e como a correr, mas ... temos de nos defender !!! Lembre-se dos chutes baixos, qualquer instrumento ( guarda chuva, garrafa, chaveiro, uma pedra, etc) elemento pode ser transformado numa arma improvisada. você pode inclusive utilizar um objeto como arma em sua mão direita e outro como escudo em sua mão esquerda. Lembremos que a distancia de corpo-a-corpo não nos favorece. E se precisamos tomar a faca, o ideal controlando a mão ou o pulso do agressor, mas isso é muito, muito difícil.  Há mais dicas para estas respostas defensivas mas um artigo não é a melhor forma de ensina-las.

    E, finalizando os conselhos deste artigo, é importante tentar estabelecer um diálogo com o agressor ( sabemos que nem sempre é possível) até mesmo porque enquanto o agressor estiver falando é pouco provável que nos ataque. Além disso ganhamos tempo para analisar a situação.

    Imagens

    domingo, 23 de abril de 2017

    A BOLEADEIRA: UMA ARMA USADA PELOS GAUCHOS




    A boleadeira ou boleadera é uma arma desenvolvida por índios da América do Sul, principalmente os que habitavam os pampas do Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina. Composta por bolas metálicas ou pedras arredondadas ( bolas ou boleadoras em castelhano), amarradas entre si por cordas. Haviam dois tipos básicos de boleadeira:
    1. Boleadeira de 1 bola :  Também chamada de chamada "bola perdida", com apenas uma bola, do tamanho aproximado de um punho fechado, era usada como arma sendo lançada para atingir a cabeça do inimigo
    2. Boleadeira de duas bolas: Também chamada de  nhanduzeira (avestruzeira). Era lançada nos pés do animal enquanto ele corria, fazendo com que caísse com os pés amarrados, possibilitando ao caçador ir até a presa e abate-la. Mais tarde passou a fazer parte do arsenal do gaúcho para a lida com o gado. Foi usada também nas guerras com o homem branco. Os índios as lançavam nos pés dos cavalos, possibilitando a queda do cavalo e subsequente ataque e morte do cavaleiro;
    3. Boleadeira de 3 bolas :  Desenvolvida exclusivamente pelos brancos e mestiços dos pampas, se inspirou na de 2 bolas dos índios charruias e guaranis.  Ela também tem seu uso principal na caça, sendo utilizada eventualmente na guerra, da mesma forma que a de duas bolas. Era um utensílio muito utilizado para capturar os animais de pequeno e médio porte


    Algumas tribos de índios da América do Norte (Timiquans e Monos) a empregavam para a caça de aves e esquilos na copa das árvores, ao invés do arco e flecha. Isso porque pequenos galhos poderiam desviar as flechas, mão não as pedras. Os esquimós tinham uma arma bem parecida, chamada Yaqulegcurcuun.

    Varias outras etnias da  América do Sul a empregavam, inclusive utilizando chifres de veado ao invés de pedra.Entre eles estavam os carijos, os indios da Bolivia e do Peru


    Na pre historia, os europeus a empregavam. Entretanto, na ocasião da conquista  do continente americano estes mesmos europeus - exceto os que habitavam a Groelandia - desconheciam completamente o seu uso.


    Extremamente eficiente como arma de combate, 
    a boleadeira é usado pela esgrima gaúcha contra o facão e a adaga



    A herança cultural da boleadeira é muito bem aceita. Além de arma e instrumento de lida com o gado, a boleadeira pode ser empregada de forma artística, como mostra o desempenho de Martin Peralta no vídeo abaixo:


    Aracaju, 23/04/2017

    Felipe Albuquerque
    Medico Veterinário, estuda Aikido, Aikijitsu e Goshin Jitsu
    Acredita que preservar a natureza e estudar artes marciais são a mesma coisa...





    Referência e imagens: 




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    sábado, 25 de fevereiro de 2017

    MARTELO METEORO (流星錘) : Dominado por poucos, temido por muitos

    Martelo meteoro.
    Algumas versóes têm um martelo em cada ponta da corda
    Martelo meteoro, também conhecido como liuxung chuí (流星錘),  é uma arma utilizada nas artes marciais chinesas. Esta arma consiste em uma pesada massa de metal arredondada, o martelo, que é amarrado a uma corda ou corrente, normalmente de 5 m de comprimento.

    O Martelo meteoro tem função e manuseio semelhante aos do dardo e corda, apesar de ser uma arma mais pesada e que não perfura o alvo, pode causar danos no impacto, e até mesmo quebrar um crânio.

    Dardo e corda
    O Martelo meteoro é uma arma de arremesso controlada pelo lutador através da corda presa ao martelo. Essa arma é feita para matar pela força do arremesso e pela grande massa do martelo o que faz a arma tão poderosa quanto sua parente, o dardo e corda, mesmo que não tenha ponta.

    A corda é controlada principalmente pelas mãos, cotovelos, pescoço, ombros e pernas do praticante de forma a fazer grandes giros que visam acertar o adversário ou apenas ganhar tempo para que a arma possa ser arremessada. Usualmente amarra-se à corda, mais ou menos a 15 cm do dardo, crinas ou panos, que buscam dificultar a visualização da posição exata do martelo.




    O martelo tem um arremesso mais preciso que o dardo, por ter um peso maior e causa ferimentos igualmente traumáticos para qualquer ângulo de impacto e não só pela ponta, apesar de não perfurar o alvo só podendo penetrar ossos por fratura.

    Tom Fazio domina bem esta arma

    Tanto o  martelo meteoro quanto o dardo e a corda são armas dificílimas de se dominar.



    Referência e imagens
     
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