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domingo, 18 de junho de 2017

HOMENAGEM ESPECIAL: VITAL LINS DE ARAÚJO

Este espaço é reservado para homenagear mestres de qualquer arte marcial ou esporte de combate que - mesmo sem saber- utilizaram os princípios do aikido em suas vidas e nos deram grandes lições.


VITAL LINS DE ARAÚJO




Vital Lins de Araújo é natural de Patos (Paraíba), tem 70 anos, 1,80 de altura e desde os 17 anos mantém o mesmo peso: 88 quilos. Corre dez quilômetros três vezes por semana. Pedala 80 quilômetros duas vezes por semana e ainda acha tempo para praticar natação.

A dedicação do professor Vital aos esportes já é bem conhecida. Nos anos 70 e 80 ele era ídolo da garotada de Patos, justamente pela grande força física e por seu excepcional desempenho esportivo.

Em 1966, aos 19 anos, ao entrar para o Exército, começou a pratica esportiva. Seu talento natural , aliado a sua excepcional compleição física fez com que se  destacasse em vários esportes, tais como o atletismo, as corridas de tiro (curta distancia) e o decatlo militar, ganhando prêmios em todos eles. Entretanto, o judo foi o esporte aonde mais se destacou. Fez parte também das forças especiais do exército se destacando principalmente no tiro de fuzil.

Primeira lição: Se tem que fazer alguma coisa, procure dar  dar o melhor de si.

Quase dez anos depois, tendo dado baixa no exército, o então atleta Vital Lins começou a pratica de vários esportes de combate, tais como : a capoeira, jiu jitsu, o westler ( luta greco romana), o boxe, o catch, o pro wrestler (na época chamado de telecatch) e o vale tudo e o livre americano (  esportes que no futuro seriam conhecidos como MMA). Na época haviam bem menos regras e mesmo assim este legítimo paraibano  se destacou nos ringues como vencedor.

O primeiro troféu da carreira
Ao retornar a Patos, em 1974, implantou, em sua casa, a Academia Judô Clube Patoense, que depois passou a ser chamada de Judô Cultural Patoense. Além disso, ofereceu seus serviços ao Exército e à Polícia Militar, sendo sempre elogiado pelos que o contrataram. E se manteve dando instruções aos militares por 32 anos.

O autor foi aluno de sensei Vital e chegou a acompanhar seu  trabalho nessas corporações. Sempre ficou impressionado pelo nível de conhecimento demonstrado pelo professor, tanto na defesa pessoal quanto no judo esportivo.

Além disso, é formado em Geografia e praticou musculação por cerca de 14 anos. Também foi preparador físico de times de futebol durante décadas. "No futebol torço pelo Esporte de Patos, mas -na minha juventude -ao ver Garrincha jogar, foi impossível não me tornar torcedor do Botafogo"

O que pouca gente sabe é o numero de pessoas que o sensei Vital ajudou dentro e fora dos tatames. Mais de uma vez fui testemunha  de pessoas de pouco poder financeiro que não podiam pagar um fisioterapeuta ou um plano de saúde que vinham até a academia receber as massagens que o professor fazia. De graça! Eu o vi ajudar velhinhos, deficientes físicos e crianças. O material de massagem (óleo) era dele próprio. Nunca cobrou nada por isso.

Segunda lição: Se o Universo lhe dá bençãos de graça... De graça você deve retribuir! 

O Judo Cultural Patoense foi formado há mais de 40 anos e é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos.  O Sensei Vital Lins, é faixa coral em judô (6º dan), e seu currículo é invejável. Entre diversos títulos ostenta : 

  • 18 vezes campeão paraibano de judô
  • 12 vezes campeão do Norte-Nordeste (Brasileiro Zonal)
  • 8 oito vezes campeão pelo 4° Exército
  • Tri-campeão de Judô pelas forças armadas
  • Tricampeão brasileiro de decatlo militar.







O professor Vital Lins, aos 42 anos de idade, quando o autor o conheceu
Do ponto de vista pessoal,  é casado há 33 anos com a senhora Raimunda de Oliveira Araújo (que é faixa amarela em judô). O casal teve três filhos: Victor Ramon, Vital Lins de Araújo Júnior e Vinicius de Oliveira Araújo, todos formados em áreas distintas e, uma curiosidade: todos são professores de judô também. “O judô é um esporte que proporciona equilíbrio físico e mental e hoje é uma marca registrada da família”, disse.

Foram diversos alunos que passaram por sua formação filosófica, pedagógica, marcial e esportiva. Dezenas de troféus e medalhas mostram a qualidade do professor.  Nas palavras do sensei: “Apesar das inúmeras taças e troféus que eu ganhei ao longo da minha carreira a minha alegria maior é saber que muitos alunos meus ganharam títulos importantes pelo Brasil afora. Já perdi a conta do número de atletas que passaram por nossa academia e ganharam competições nacionais e internacionais. Isso para um professor é a maior gratificação”.

Terceira lição: O aluno realiza  aquilo que o professor ensina.

Entretanto, mesmo sendo uma instituição filantrópica, a academia deve ter um mínimo de alunos para conseguir cobrir seus custos e se manter. O Judo Cultural Patoense não é exceção e atualmente corre o risco de fechar, pois o número de alunos caiu muito. O sensei Vital é aposentado, e complementa sua renda com serviços de pintura de placas e medalhas. Entretanto, são visíveis os efeitos da crise financeira que se abateu sobre o país. Não existe o apoio do poder publico a uma instituição que há mais de 40 anos, forma muito mais do que atletas, forma cidadãos de bem. A academia Judô Cultural Patoense, para não fechar, precisa de alunos, e os interessados em praticar esse esporte, pelo telefone 3421- 4115.

Para finalizar, gostaria de dar um depoimento pessoal. Estudei com o sensei Vital Lins durante 5 anos de minha vida. Muito mais do que um professor de artes marciais, chegou a ser um pai, orientando e me preparando para coisas que a faculdade não ensinava e que não eram obrigação dele. Não tenho palavras para agradecer o que me ensinou a não ser que eu deveria ter sido mais esforçado e aprendido muito mais. Tenho a consciência de sei muito pouco, mas que o senhor me ensinou muito! 

Obrigado SENSEI! DOMO ARIGATO GOZAI MASTA!



FELIPE ALBUQUERQUE
Médico Veterinário, tem a consciência de que àquele que te faz o bem
deves honrar com palavras, atos e até pensamentos!


Referência e imagens:
Folha Cultural Patoense 11/06/2017- reportagem de Wandeci Medeiros

domingo, 16 de abril de 2017

BIMBA É BAMBA !

Este espaço é reservado para homenagear mestres de qualquer arte marcial ou esporte de combate que - mesmo sem saber- utilizaram os princípios do aikido em suas vidas e nos deram grandes lições


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MANOEL DOS REIS MACHADO, O MESTRE BIMBA

O baiano Manoel dos Reis Machado logo foi chamado de BIMBA, em decorrência de uma aposta feita entre a sua mãe e a parteira que dizia ser um menino. Surge aí o apelido BIMBA!

Mestre Bimba (1900-1973)
Iniciou na capoeira pelos 10 ou 12 anos de idade com o Africano Bentinho e após 4 anos começou a lecionar.  Mas a capoeira de então era muito mal vista pela sociedade em geral. Praticada nas ruas, becos e guetos, era punida pela polícia, pois era crime previsto na legislação vigente, como atesta decreto 847/1890, com o título "Dos Vadios e Capoeiras":


ARTIGO 402 - Fazer nas ruas ou praças públicas exercícios de destreza corporal conhecidos pela denominação de capoeiragem: pena de dois a seis meses de reclusão. 

PARÁGRAFO ÚNICO - É considerada circunstancia agravante pertencer o capoeira a alguma banda ou malta. Aos chefes, ou cabeças, impor-se-á a pena em dobro.

Capoeiristas eram temidos e perseguidos pela polícia. Além disso, as vezes eram contratados por grupos políticos para fazer arruaças nos comícios, tumultuar eleições e e fazer a segurança de figurões da política nacional.

Nos chamados "batizados", os capoeiristas recebiam outros nomes, tais como como Formiga, Besouro, Bimba, Boneco, etc, para que não fossem identificados pela polícia.


Mestre Bimba acreditava que a capoeira tinha que se renovar 
a fim de não ser engolida por artes marciais estrangeiras

Desgostoso com esta situação e inconformado com os rumos que a Capoeira de Angola estava tomando, o mestre Bimba resolve desenvolver um estilo diferente, fazendo a junção do batuque com a Capoeira de Angola. O novo método era menos ritualístico e mais focado em eficiência e defesa pessoal. Entretanto, o novo método ainda teve de ser disfarçado, ou então poderiam haver represálias. Assim, é batizado como Luta Regional Baiana.

Lição: Você não pode lutar contra o sistema, da mesma forma que não se dá murro em ponta de faca. Mas pode se adaptar ao sistema e faze-lo trabalhar para você.




Em 1932 é fundada a primeira academia, na época chamada de  Centro de Cultura Física e Luta Regional da Bahia . Cinco anos depois, a Luta Regional Baiana se apresentou para o interventor general Juraci Magalhães e outras autoridades civis. Em 1939 é ensinada no Quartel do CPOR. Em 1942, é aberta a segunda academia e em 1949, o escritor Monteiro Lobato o conheceu e lhe dedicou o conto Vinte e dois de Marajó, que conta a história de um marinheiro capoeirista. 

Lição: Não importa o tamanho do público, continue fazendo o melhor que puder. O resultado virá

Renovada, a capoeira, antes discriminada, passa a ser admirada. Em 1953, Mestre Bimba se apresentou para o presidente Getúlio Vargas, este declarou ser a Capoeira o único esporte verdadeiramente nacional. A Capoeira passa então a ser descriminalizada e pode ser chamada pelo seu verdadeiro nome.


Apesar do magnífico trabalho feito pelo mestre Pastinha, podemos afirmar sem medo que 
a capoeira pode ser dividida em a.B e d.B(antes de Bimba e depois de Bimba).

Antes os praticantes sequer sonhavam em ter na Capoeira  trabalho e fonte de renda. Bimba rompeu com este ranço. Deixou as funções de carroceiro, trapicheiro, carpinteiro, doqueiro, carvoeiro para abraçar a capoeira e o seu instrumento mais ilustre, o berimbau. Foi o primeiro capoeirista a vencer uma competição no ringue, quando o público o incentivava com o grito de guerra "Bimba é bamba!"

Em 1973, Mestre Bimba, deixou a Bahia. No ano seguinte, em virtude de um AVC (acidente vascular cerebral) faleceu em 5 de fevereiro, aos 73 anos, sem presenciar a profissionalização da capoeira que ajudou a criar.

Aracaju, 16/04/2017
Felipe Albuquerque
Médico Veterinario, estuda Aikido, Aikijitsu e Goshin Jitsu
Acredita que Não existe glória na vitória nem desonra na derrota.



IMAGENS E REFERENCIAS 

sábado, 31 de dezembro de 2016

A SUPERAÇÃO TEM NOME: SENSEI TENÓRIO

A SUPERAÇÃO TEM NOME: SENSEI TENÓRIO


"Algumas pessoas acreditam que TENÓRIO é um grande atleta paralímpico.
Particularmente, considero essa afirmação uma ofensa.
TENÓRIO é um grande atleta. E ponto final. "

(Felipe Albuquerque)


ANTONIO TENÓRIO DOS SANTOS ou, como é mais conhecido, TENÓRIO é um grande exemplo de vida e de atleta. Nascido em 24/10/1970, começou a treinar judo aos sete anos de idade, inspirado pelo pai. Foi aluno do grande Vivaldo Gomes. Aos treze anos, seu olho esquerdo esquerdo acidentalmente foi atingido por uma semente de mamona, deixando-o cego deste olho. Mas ele continuou treinando firme e fazendo o  melhor que podia. Aos 19 anos uma infecção no olho direito retirou-lhe completamente o dom da visão. Estava cego.




Desiludido pelo médico, seu pai lhe questionou: "o que você quer para a sua vida?". Ao dar a resposta para ele,  veio o primeiro ensinamento:

PRIMEIRA LIÇÃO: NÃO DEIXE QUE NADA LHE IMPEÇA DE REALIZAR SEUS SONHOS

E Tenório fez mais que acreditar. Ele se esforçou, adaptou, superou.  Nos anos seguintes, fez a transição para o judo paralimpico, categoria B1 ( deficiência visual completa nos 2 olhos). Não foi uma adequação fácil. Muitas vezes a vida também foi cruel.  Mas ele foi em frente e levantou os seguintes títulos: 

  • Faixa Preta 4º Dan de Judo;
  • Faixa Preta 2º Dan de Brazilian Jiu Jitsu;
  • Campeão Paulista, Brasileiro ,Panamericano e Mundial de Judo
  • Campeão paralímpico 4 vezes: Atlanta (1996), Sidney (2000), Atenas (2004) e Pequim (2008);
  • Paralimpiada de Londres ( 2012) medalha de bronze;
  • Paralimpiadas do Rio ( 2016): medalha de prata;
  • Campeão Brasileiro e Mundial de Jiu Jitsu ( categoria até 100 kg e categoria absoluta) 


O Sensei Tenório se aventurou também no judo regular, obtendo o título de campeão paulista na categoria meio pesado.  Aí vem a segunda lição:

SEGUNDA LIÇÃO: TODAS AS DIFICULDADES QUE VOCE ENFRENTA, SÃO APENAS 1% DA SUA VIDA. O VERDADEIRO RESPONSÁVEL PELA SUA VIDA É VOCÊ. VOCÊ É RESPONSÁVEL POR 99% DOS RESULTADOS. 

Hoje seu treinamento é supervisionado pelo professor Fernando da Cruz.  Como paratleta profissional, vive o dilema da maioria dos atletas de nosso país: as dificuldades em conseguir patrocínio e para obter emprego regular na arte marcial. Como deficiente, relata as dificuldades para chegar nos locais de treinamento. Nesse aspecto, encontra grande apoio da esposa Evelyn, sua fã confessa e grande incentivadora.

O Sensei Tenório ainda compete. Mas, não se esquece de dividir o que aprendeu, ministrando cursos e seminários. O autor deste artigo participou de um seminário que Tenório ministrou em Aracaju e ficou impressionado, :
  • A orientação espacial dele é excepcional. Informaram ao professor Tenório as dimensões do tatame. Surpreendentemente se movimentou bem por todo o tatame! Não precisou de ajuda de ninguém, nem esbarrou em nenhum aluno;
  • Seu grande conhecimento técnico. Para se ter uma idéia, nas técnicas de solo, um campeão mundial de Jiu Jitsu veio tirar dúvidas com ele. Colhi opiniões dos participantes que foram unânimes em afirmar: Esse professor é excelente!
Vem então a última lição: 

ANTES DE ENXERGAR... É PRECISO ACREDITAR !



Ficamos realmente impressionados tanto com o homem, quanto com o atleta! Não temos dúvidas de que a empresa que o contrate terá um excelente retorno! Os meios para contactar o sensei Tenório são:


Felipe Albuquerque e TENORIO
Seminário em Aracaju em 2016

Telefone. 011 97671-7549

Obrigado, sensei TENORIO!

Imagens


Projeto Ressoar:  https://www.youtube.com/watch?v=u9LAJ8H4lwc
B-9: Tenório em Pequim: https://www.youtube.com/watch?v=iRCkB-DXG18
Arquivo pessoal do autor (  autorização do sensei TENORIO)

Referências
Entrevistas pessoais ( publicado com autorizaçao do sensei TENORIO)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Ten%C3%B3rio

sábado, 2 de julho de 2016

FUMIO DEMURA: O VERDADEIRO SENHOR MIYAGI

Este espaço é reservado para homenagear mestres de qualquer arte marcial ou esporte de combate que - mesmo sem saber- utilizaram os princípios do aikido em suas vidas e nos deram grandes lições.  



FUMIO DEMURA: 

O VERDADEIRO SENHOR MIYAGI

Nascido em Yokohama, Japão, em 1938, FUMIO DEMURA [出村文男] iniciou sua pratica no ShitoRyu Karate Do e no Kendo aos nove anos de idade, com Asano Sensei. Além disso, treinou Kobudo de Okinawa, Aikido, Judo e Iado. 


Primeira lição: 
Procure saber sempre mais do que você  já sabe. Não pare de aprender!

Aos 18 anos, foi campeão mundial de Karate Do e aos 23 se tornou  campeão japonês aos 23 (1961). Formado em Economia, viajou para os Estados Unidos sem saber falar inglês . Dois dias depois teve vontade  de abandonar tudo e voltar para o Japão. Naquela época, o preconceito contra japoneses era grande nos EUA. Mas ele não desanimou e foi a luta. Nos Estados Unidos, introduziu o KARATE SHITO RYU e o KOBUDO DE OKINAWA. Mudou a forma como se faziam as demonstrações de Karate. Escreveu diversos livros sobre Karate e Kobudo ( Tonfa, Bo, Sai e Nunchaku). Seu livro sobre nunchaku foi usado como base de estudo por Bruce Lee. Se tornou uma referência mundial do Karate e foi indicado 2 vezes ao Hall da Fama!



Segunda lição:
Não desanime! A sorte favorece aos que têm iniciativa.

Nos anos 70, sua academia (Genbukai) faliu. O shiham Demura então inovou: começou a se apresentar no Hotel Hilton em Las  Vegas, fazendo o papel principal uma pequena peça: Era um Samurai que salvava uma mocinha que era ataca por malvados no Japão. A apresentação ficou em cartaz por 2 anos. Aí passou a fazer pequenas figurações no cinema. Deu tão certo que começou a fazer pequenas pontas no cinema. Até que, na década de 80, o astro Chuck Norris o indicou para um dos papeis principais num grande filme: Karate Kid!

Terceira lição:
Caiu dez vezes ? Se levante onze!

O diretor do filme, ao ver Demura em ação não teve dúvidas: Ele era o mais indicado para ser o senhor Miyagi. Entretanto, o mestre Demura lhe disse que o papel estava muito além de sua capacidade de interpretação. Ficou então acertado que Demura seria o dublê nas cenas de luta do ator Pat Morita. A parceria deu tão certo, que se estendeu por todas as continuações de Karate Kid. ele e Morita acabaram ficando grandes amigos!


Quarta lição:
Você deve conhecer  bem seus pontos fracos.
Os bons, as disfarçam suas limitações. Os grandes, as usam.

“Fumio Demura: the Real Miyagi”



Em 2014 foi lançado um documentário sobre sua vida, intitulado “Fumio Demura: the Real Miyagi”. O filme conta com depoimentos de vários nomes do cinema de ação, como Chuck Norris, Dolph Lundgren, Steven Seagal, Michael Jay White e muitos outros. Lembrando a todos que antes de estudar aikido, Steve Seagal era  faixa preta 3º Dan de Fumio Demura. 



Fumio Demura-sensei, Dōmo arigatō [どうもありがとう]!


Aracaju, 01/06/2016
Felipe Albuquerque
Estuda Aikido, Aikijitsu e Goshin Jitsu
Sonhador em tempo integral, lê muito e fala um bocado
Se encontrar com ele, puxe a cadeira que a casa é sua


domingo, 19 de junho de 2016

SOKE MASAAKI HATSUMI: NINJUTSU PARA O MUNDO

Este espaço é reservado para homenagear mestres de qualquer arte marcial ou esporte de combate que - mesmo sem saber- utilizaram os princípios do aikido em suas vidas e nos deram grandes lições. 
Entretanto, a autoria desse texto não é nossa, mas do Shidoshi Ho Galleni Junior e foi retirada do site Shymunryô Dojo. Resolvemos compartilhar também as grandes lições do Soke Takamatsu.

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 SOKE MASAAKI HATSUMI

Dr. Masaaki Hatsumi (初見良昭) nasceu na cidade de Noda, província de Chiba, Japão. Em 02 de dezembro de 1931; graduou-se em medicina na Universidade de MeijiTokyo, e hoje possui uma grande clínica de traumatologia em sua cidade natal. Amante da arte também inspira-se à pintar verdadeiras obras com quadros expostos em todo o mundo.
Autor do famoso livro “Stick Fighting”; que trata sobre a arte do bastão segundo o método Kukishinden, que é bem conhecido em todo os E.U.A., e muitos outros encontrados em todo o mundo.
 

5º Dan de Karatê é também expert em outras disciplinas tais como o Bo, Naginata, Yari, Tai Jutsu, Aiki Jujutsu, o Judô, etc. Como praticante de Judô, foi várias vezes campeão; como instrutor da modalidade, ministrava aulas na base aérea Americana.
 

Conta-se que era evidente a vantagem dos soldados americanos devido a natureza de suas estaturas, foi quando percebera a limitação de suas técnicas. Dessa forma viajaria pelo Japão buscando uma Arte Marcial que superasse os limites físicos independente de quem a praticasse.


1ª Lição: 
Se não está satisfeito em ser bom...
Busque ser ótimo!



Um certo dia soube de um mestre, e em seguida foi a seu encontro. Chegando a residência do tal mestre, conta-se que estava muito ansioso para conhecer aquele grande guerreiro que ouviu falar. Ao deparar-se com aquele homem baixo e franzino, por um instante ficou em dúvida de sua busca. Mas naquele momento foi surpreendido por um olhar gélido que iniciava em seus pés e ia subindo paralisando seu corpo até chegar em seus olhos, onde sentiu um medo indescritível, em que só lhe passava pela cabeça sair daquele local o mais rápido possível, aquele homem baixo e franzino era o grande mestre Toshitsugu Takamatsu, herdeiro de nove tradições, entre elas as lendárias e temidas habilidades do Ninjutsu. Desse encontro surgiu uma grande amizade.





hatandtaka2Meu mestre Takamatsu em um dado momento me disse que eu jamais seria um Meijin, mas sim um Tatsujin. Fiquei muito desiludido quando ouvi isto, porque pensei ter conhecido o suficiente para alcançar um nível Meijin (mestre das artes de luta). Mesmo com o passar do tempo Takamatsu não explicou-me o verdadeiro significado da palavra “Tatsujin”. Com os anos de treinamento e estudo eu havia percebido o significado da palavra “Tatsujin” e percebi o quanto importante e valioso era aquele título.


Não é necessário estar obcecado para saber quem é mais forte ou mais fraco, para se viver como ser humano. Um animal sim necessita ser forte para viver em seu habitar, mas as pessoas podem viver sem terem que provar uma para a outra quem é melhor do que quem. Esta é a característica mais maravilhosa do Ninjutsu. Foi o que aprendi com meu mestre Toshitsugu Takamatsu.

2ª Lição: O verdadeiro forte vem sem lutar... 
Mesmo sabendo que tem o poder de vender lutando.


Takamatsu Sensei um ano antes de sua morte me disse que havia me ensinado tudo, “absolutamente” tudo que ele sabia. Considerou que havia cumprido com sua obrigação de passar os ensinamentos das linhagens que ele havia recebido. Desde este momento ele iria dedicar todo o seu tempo à prática espiritual.

Hatsumi Ninja 2

Hatsumi Sensei – 1.988 – Japão.


Quando me disse isto me senti completamente abandonado, foi o momento de maior solidão da minha vida. Senti que eu não era suficientemente bom para seguir sozinho.
Reconheço que me intrigava, que um lutador como ele estivera tão interessado no estudo espiritual e pensei durante longo tempo, sobre o equilíbrio entre o estudo religioso e a prática das Artes Marciais.
A religião deve ser adequada, à aquela que irá converter uma pessoa melhor e mais forte. É natural que a religião mude de acordo com o lugar de onde vem. Em japonês, religião (Shukyo) se escreve com caracteres que significam essencial ensinamento para os seres humanos. São ensinamentos muito básicos e muito importantes que somente trocam sua forma em lugares distintos. Sendo quente ou frio, próspero ou pobre, por exemplo: Se as pessoas vivem num lugar e dependem da água para sobreviver é seguro que criem um Deus da água.”




Masaaki Hatsumi recebeu de seu mestre a autoridade e a posição de herdeiro sucessor em linha direta dos mestres e discípulos, remontados a 7 séculos atrás vindo a tornar-se o Grande Mestre das 9 tradições marciais japonesa.


Hatsumi Sensei criou um sistema único de treinamento englobando as 9 escolas herdadas de seu mestre, no início denominado Ninpô Tai Jutsu e em seguida viria a abrir as portas da filosofia Ninpô aos primeiros alunos ocidentais, sendo que há um ano atrás mudaria de Ninpo Tai Jutsu para Budô Tai Jutsu.

Foi fundando a partir de 1.972 a então conhecida hoje: Bujinkan Budô Tai Jutsu. O termo Bujinkan significa: “A Morada do Guerreiro Divino” assim como “A Casa do Deus Guerreiro”, lembrando que este termo foi uma criação de Sensei Hatsumi em homenagem a seu mestre Toshitsugu Takamatsu.

Hatsumi havia tido o imenso privilégio de treinar durante vários anos com a direção do grande mestre Toshitsugu Takamatsu, sendo na atualidade um dos maiores especialistas japoneses no manejo de armas e condecorado pelo imperador Hiroito como uma relíquia cultural, sendo hoje considerado um patrimônio vivo para a nação japonesa.


O treinamento que impõe a si mesmo diariamente é muito duro e trás umas regras muito escrupulosas, como as duchas geladas matutinas, com a finalidade de ganhar uma energia especial, nada de álcool, tabaco, etc. Isto o faz ter uma mentalidade nada comum entre os artistas marciais.

Junto a esta fortaleza de espírito, Hatsumi possui uma gentileza e uma simplicidade de caráter extraordinária. Os melhores mestres do Budô chegam até ele para aprender técnicas que há muito tempo são ouvidas, as quais se encontram escritas em papiros chamados Tori-Maki (documentos do tigre) ou Maki-Mono (documentos secretos) onde estão registrados, codificados e englobados junto a um treinamento psíquico e mental ocultos.
 

O Dojô de Hatsumi encontra-se em Noda, junto a grande cidade de Tokyo. Seu interesse está centrado em manter o patrimônio cultural do Japão e conservar vivas as técnicas da arte do Ninjutsu. Graças a ele, esta arte permite progredir por si mesma ao indivíduo, o que motivará uma troca de sociedade. Pois teve fim à época de espionagem e morte na antiga arte.


3ª Lição: 
Encerrar ciclos e iniciar novas etapas
 faz parte do desenvolvimento
 de qualquer ser humano.

domingo, 14 de junho de 2015

OSWALDO FADDA- O HOMEM QUE VENCEU OS GRACIE

Este espaço é reservado para homenagear mestres de qualquer arte marcial ou esporte de combate que - mesmo sem saber- utilizaram os princípios do aikido em suas vidas e nos deram grandes lições. 


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OSWALDO FADDA


Mestre Oswaldo Fadda ( 1921-2005)
professor Fadda nasceu, viveu e morreu em Bento Ribeiro, Rio de Janeiro. Homem humilde, conhecedor profundo do Jiu jitsu e o pioneiro a levar a "arte suave" para o subúrbio carioca. Quando, aos 17 anos, era fuzileiro naval da marinha do Brasil, Oswaldo Fadda começou a treinar Jiu-Jitsu e foi o melhor pupilo do professor Luiz França, que fez parte do pequeno grupo de alunos de Mitsuyo Maeda, conhecido como Conde Koma, introdutor oficial do jiu jitsu no Brasil, em 1917, na cidade de Belém, no estado do Pará.

Ao conseguir sua faixa preta, aos 17 anos de idade, Fadda começou a ensinar nos subúrbios cariocas, a pessoas humildes. Como na época o Jiu Jitsu era pouco conhecido, sempre fazia demonstrações nesses mesmos bairros, aceitando inclusive desafios para mostrar a eficiência do seus sistema. Havia casos em que as demonstrações eram feitos no chão duro, porque não dispunham de tatame. E assim conseguiu formar seus primeiros faixas-pretas.

Começam aí as primeiras duas lições:
1ª. Trabalhe duro, não importa aonde ou como estiver. Os resultados virão!
2ª. Se tem confiança no que faz, mostre isso a todos!

Deficientes Físicos

Na época, não havia no Brasil o controle da paralisia infantil (poliomielite) que se em hoje. Mesmo assim o mestre Fadda tinha entre seus alunos deficientes físicos, usado o Jiu Jitsu como forma de reabilitação e defesa pessoal desses alunos. Um deles inclusive o ajudava em demonstrações e desafios e consta que nunca foi derrotado na categoria até 60 kg !

3ª Lição: É importante que você divida o que você tem com os menos favorecidos. Se doe!

Desafiando os Gracies

Tendo como público comunidades carentes, não tinha muita verba para investir em publicidade. Entretanto, em  1954, o Mestre Fadda foi aos jornais O Globo e o Diário da Noite e declarou:

"Desejamos enfrentar os Gracie, respeitamo-los como incomparáveis adversários, porém não os tememos. Disponho de cerca de vinte alunos para os encontros"

Hélio Gracie se mostrou encantado pelo cavalheirismo do desafiante. Os encontros ocorreram na sede da academia Gracie e tiveram um resultado surpreendente: Todas as vitórias foram para o grupo do Mestre Fadda, graças, principalmente, às chaves de pé que seus alunos dominavam.

4ª. Lição: Seja humilde, mas nunca submisso.  
5ª Lição: Pratique a cortesia. Seu adversário SEMPRE deve ser tratado como um convidado de honra. 
6ª. Lição: Seu diferencial provavelmente é seu ponto forte. Invista nele e você ficará mais preparado para vencer!

Linhagem do Brazilian Jiu Jitsu.. Nem tudo começou com os Gracie

"É preciso haver um Fadda, para mostrar que o Jiu Jitsu não é privilégio dos Gracie."
 (Hélio Gracie, na revista dos Esportes, publicada no Rio de Janeiro)


Bons treinos !


Felipe Albuquerque
Médico Veterinário, estuda Aikido, Aikijitsu e Goshin Jitsu
Paradoxal, crítico e chato, discute diariamente grande temas como o bem estar animal e a defesa pessoal.
Mas, no fundo é uma boa pessoa, rs











Referências:


 Sempre fazendo demonstrações 
 
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